Com a Palavra… Dra. Valeska Caldoncelli, médica Mastologista do CEPEM

Médico artigo 4 (Jan 2019)

Em que casos a biópsia mamária é indicada?
A biópsia é indicada quando há uma lesão com suspeita de ser maligna. Nós usamos como base o BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), um sistema de classificação padronizado que é usado mundialmente. A partir desse método, as lesões classificadas nas categorias 4 e 5 são as que sugerem um grau de suspeita. Para esses casos, deve-se fazer a investigação por meio da biópsia.
 
Qual a importância da biópsia mamária no processo de diagnóstico de nódulos da mama?
Nenhum exame de imagem é capaz de dar certeza de diagnóstico. Eles auxiliam no processo de avaliação, colocando as imagens nas categorias suspeitas ou não. Uma vez que há um nódulo ou qualquer alteração, o exame histopatológico é o único método que vai dar essa certeza. Ou seja, é preciso examinar as células daquela área por meio da coleta do material, o que é feito com a biópsia.
 
A biópsia é o diagnóstico final daquela área analisada. Pode até haver uma diferença no diagnóstico da biópsia e da cirurgia, mas a paciente só é encaminhada para a cirurgia após a biópsia.
 
A biópsia não é necessariamente uma sentença para o câncer de mama, correto? O que dados apontam?
Sim. Por meio da classificação do BI-RADS, 80% das lesões de categoria 4 não são diagnosticadas como câncer. Já na categoria 5, essa probabilidade sobe consideravelmente, chegando quase ao inverso. Ou seja, 70% das lesões podem ser malignas.
 
Quais são os métodos de biópsia mais utilizados atualmente?
A biópsia vai depender sempre de um exame, que pode ser a mamografia, o ultrassom das mamas e/ou a ressonância magnética. Pode-se detectar uma lesão por meio desses três exames ou, em alguns casos, somente por meio de um deles. Por exemplo, uma lesão pode aparecer somente na mamografia e não no ultrassom e na ressonância. E isso pode acontecer com qualquer método.
 
Logo, a biópsia vai ser guiada pelo método que melhor viu a alteração. Se a mesma foi vista pelos três métodos, a biópsia dessa paciente vai ser guiada pelo ultrassom, que é mais confortável. Se a alteração aparecer somente com a mamografia, a biópsia vai ser feita na mesa de mamotomia. Caso apareça na ressonância, o exame vai ser realizado por meio da própria ressonância.
 
A partir de então, é escolhida a agulha que vai ser usada para colher o material. Existe a opção da Core Biópsia, que é um mecanismo que utiliza uma pistola com uma mola propulsora que corta o material e retira fragmentos pequenos da área. É um método mais demorado, que retira um menor fragmento e que pode apresentar diagnósticos imprecisos para alguns tipos de lesões (como microcalcificação).
 
A opção mais indicada é a biópsia percutânea a vácuo (comumente chamada de mamotomia). Por meio de uma pistola a vácuo, a agulha é introduzida e o tecido da área é puxado para dentro da mesma. É um método que apresenta um material de melhor qualidade e com mais rapidez, sem a necessidade de tirar e colocar a agulha várias vezes, o que pode deslocar a lesão. A biópsia percutânea a vácuo é indicada para quase todas as lesões, menos para axila, que é uma área mais sensível, e para nódulos muito grandes e duros.
 
Qual a novidade em termos de sistemas de biópsia?
A novidade é a biópsia por estereotaxia feita pelo Affirm Prone 3D. Essa nova mesa utiliza da tomossíntese (mamografia em 3D) para melhorar a definição, a precisão e o tempo da biópsia. Ela chegou ao CEPEM no final do ano passado.
 
Como esse novo sistema inova em relação aos outros métodos? Garante mais precisão? Mais conforto?
Com a mesa anterior, o exame era realizado com três exposições ao raio-X, o que demorava mais tempo e demandava mais radiação. Com o Affirm Prone 3D, é possível fazer uma varredura de 15° em uma única exposição. Ou seja, é como se fizesse 15 imagens em uma só. A partir disso, essa imagem é reconstruída e podemos ver com mais nitidez a área onde vai ser realizada a biópsia, o que acelera o processo.
 
Além disso, a mesa permite a biópsia em mamas pequenas e de pouca espessura, o que era mais difícil com a mesa anterior. O Affirm Prone 3D tem um braço que pode angular em 90°, onde é possível um acesso lateral da lesão.
 
A nova mesa oferece muito mais rapidez e qualidade de imagem. Depois que a lesão for detectada, não vai levar nem cinco minutos para realização do procedimento.

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