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Perguntas Frequentes

Espaço que o CEPEM coloca a sua disposição para conhecimento dos questionamentos mais frequentes sobre a saúde da mulher:

Entendendo alguns aspectos do câncer de mama


1. O que é o câncer?
O câncer é uma doença heterogênea (se comporta de forma diferente de indivíduo para indivíduo) que tem como substrato comum um aumento desenfreado da multiplicação celular que foge ao controle dos mecanismos de regulação próprios do organismo.

2. O que causa o câncer?
Não há uma única causa que explique o aparecimento do câncer, daí ser considerado uma doença multifatorial. Sabe-se, no entanto, que há uma influência hormonal e do meio ambiente que levarão a alterações genéticas (mutações) modificando o perfil da célula normal para uma célula maligna.

3. O câncer é hereditário?
Embora as alterações genéticas (mutações) sejam responsáveis pelo surgimento do câncer, isto não significa que todo câncer seja hereditário. Em relação ao câncer de mama apenas 5 a 10% são hereditários, e nestes casos há a transmissão familiar da mutação genética. Os casos em que não há esta transmissão genética denominam-se câncer esporádico, terminologia usada para os casos não hereditários e que representam de 90 a 95% dos casos de câncer de mama.

4. O câncer é contagioso?
Não. O câncer não é uma doença contagiosa. Não há evidências da transmissão de um indivíduo a outro. Lembrar que a origem do câncer é uma alteração genética.

5. Todo tumor é câncer?
Não. Dependendo do comportamento biológico os tumores são classificados em benignos e malignos (câncer). A maioria dos tumores identificados clinicamente, ou através de algum método de imagem é benigna. A confirmação de benignidade ou malignidade é feita através da biopsia.

6. Quais os fatores de risco para desenvolver o câncer de mama?
O câncer de mama acomete principalmente as mulheres; a proporção é de aproximadamente 100 casos em mulheres para apenas um caso em homem. Daí já se conclui que o principal fator de risco é ser mulher. Outro aspecto é em relação à idade, que as estatísticas demonstram o aumento da incidência a partir dos 45 anos, portanto o fator idade também é um fator de risco muito importante.

Antecedente familiar de primeiro grau (mãe, pai, irmãs e filhas), principalmente se a doença ocorreu em idade jovem (abaixo dos 50 anos), confere um risco elevado para o câncer de mama.

Certas patologias quando diagnosticadas por biopsia, como as hiperplasias atípicas, o carcinoma in situ e o próprio câncer, são condições que também elevam muito a probabilidade da mulher vir a ter um câncer de mama. Se algum destes fatores se associa o risco passa a ser ainda mais elevado.

Outros fatores embora com menor peso, também são considerados de risco: menarca precoce, nuliparidade, primipara idosa, uso prolongado de hormônios sexuais, obesidade, vida sedentária, hábito alimentar que privilegia os carboidratos e gordura de origem animal, exposição excessiva à radiação.

7. Qual a melhor maneira de se prevenir do câncer de mama?
Inicialmente afastando todos os fatores nocivos que estão presentes no nosso dia a dia, criando um padrão de vida saudável: reeducação alimentar, hábito de atividade física, diminuir ou abolir o uso de álcool e o fumo, diminuir o stress, nunca usar qualquer hormônio sem orientação médica.

Quando a mulher apresenta um padrão de risco significativo, existem medidas que podem ser adotadas para minimizar o risco do câncer de mama. No entanto são medidas que só podem ser colocadas em prática sob a orientação de um médico especialista, após uma profunda discussão dos benefícios e riscos destes procedimentos.

Em termos práticos, a grande opção é a prevenção secundária, possível com a realização da mamografia anualmente a partir dos 40 anos que, embora não previna a doença, permite o diagnóstico precoce, o que na grande maioria das vezes vai possibilitar a cura da paciente.

8. O câncer tem cura?
A cura está diretamente ligada à precocidade do diagnóstico. Quanto menor o tumor, maiores são as chances de cura. Isto porque é menos provável que tenha havido disseminação da doença (para a axila e ou para órgãos à distância). Além deste aspecto tem-se que avaliar as características moleculares do tumor que podem conferir ao mesmo, maior ou menor agressividade. Portanto a possibilidade de cura está diretamente ligada a fatores anatômicos do tumor (extensão da doença) e a fatores moleculares e genéticos.

9. Quais são os progressos na prevenção do câncer de mama?
Vários são os progressos alcançados nas últimas décadas. O principal e mais importante foi o desenvolvimento da mamografia que permite o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mais recentemente uma grande conquista foi o surgimento da mamografia digital, que certamente está apontando para novos horizontes no diagnóstico precoce do câncer de mama. Ainda no campo da imagenologia, a melhoria do padrão dos exames ultra-sonográficos tem permitido a identificação de lesões não visualizadas na mamografia, bem como uma melhor acurácia diagnóstica. A ressonância magnética também vem ocupando um papel de destaque na investigação das doenças da mama.

Os procedimentos diagnósticos minimamente invasivos (core biopsia, mamotomia e punção por agulha fina) otimizaram a conclusão diagnóstica sem prejuízo do resultado final, com grandes vantagens para a paciente. Quando da necessidade da cirurgia de lesões sub clínicas, a marcação pré operatória por estereotaxia ou por ultra-sonografia, com fio metálico ou substância radioativa (ROLL), também foi um avanço que merece ser mencionado.

A par de todos os avanços tecnológicos não podemos deixar de citar os novos conhecimentos e um melhor entendimento da evolução do câncer de mama, bem como das interações genéticas e moleculares, que em última análise vão permitir cada vez mais um tratamento individualizado.

10. O tecido denso das mamas em mulheres jovens impossibilita a visualização de tumores pela mamografia?
Quanto mais densa for a mama, maiores são as chances da mamografia não identificar um tumor (exame falso negativo). No entanto sendo a mamografia indicada como método de rastreio a partir dos 40 anos, a partir desta idade, geralmente as mamas são menos densas e, portanto esta dificuldade é minimizada. A mamografia digital deve ser o método de escolha sempre que a paciente tiver a mama densa. Outro recurso é utilizar associado à mamografia, outro método diagnóstico, como a ultra-sonografia ou a ressonância magnética. É importante lembrar que em todas estas situações a mulher deve ser orientada por um médico especialista.

11. Micro calcificações mamárias significam câncer?
As calcificações que aparecem na mamografia na maioria das vezes traduzem um processo benigno. No entanto, alguns tipos de calcificações (micro calcificações) podem ser a primeira evidência de uma lesão pré-maligna ou mesmo uma lesão maligna, porém em fase inicial, o que permite alcançar a cura quase sempre e muitas vezes com tratamento conservador. A mamografia deve ser interpretada sempre por médico especialista.

12. Se eu faço o auto-exame de mamas todos os meses eu preciso fazer mamografia?
Sim. Após os 40 anos todas as mulheres devem fazer a mamografia anualmente.

13. Qual a importância do auto-exame na prevenção do câncer de mama?
Todos os recursos disponíveis devem ser utilizados com o intuito de se fazer o diagnóstico do câncer de mama o mais rápido possível, e um destes recursos é o auto-exame. Na maioria das vezes, as alterações mamárias são encontradas pela própria mulher. É a mulher quem melhor conhece sua própria mama. O auto-exame não substitui o exame clínico e nenhum outro recurso de diagnóstico, como a mamografia. No entanto no espaço de tempo entre uma e outra consulta, ou entre os exames de mamografia, o auto-exame deve ser realizado.

14. Qual o melhor período para se fazer o auto-exame das mamas?
Toda mulher a partir de aproximadamente 20 anos de idade deve ser estimulada e orientada a realizar regularmente o auto-exame das mamas. Este hábito vai permitir ao longo do tempo, que a mulher conheça o aspecto e a textura normais de suas mamas, de modo a reconhecer alguma alteração que possa surgir. O auto-exame deve ser realizado uma vez ao mês sempre após o término da menstruação. Para as mulheres que não menstruam, deve ser realizado de preferência em um mesmo período do mês, escolhido aleatoriamente, por exemplo, na primeira semana do mês.

15. Como realizar o auto-exame das mamas?
Este exame é muito simples de se realizar: é rápido, indolor, sem efeitos secundários, sem custo, pode ser feito no momento em que a mulher desejar e por estes motivos é accessível a todas as mulheres.

A primeira parte do exame é a inspeção: em um ambiente com boa iluminação, a mulher deve ficar de pé em frente a um espelho e observar as suas mamas à procura de eventuais alterações. Ainda nesta fase deve mover os braços para cima e para os lados, e finalmente contrair os músculos do tórax, sempre procurando identificar alguma alteração.

A segunda parte é a palpação: utilize a mão direita para examinar a mama e axila esquerda, e a mão esquerda para examinar a mama e axila direita. Deitada, com o braço do lado a ser examinado acima da cabeça e com os dedos da mão oposta esticados, inicia-se a palpação, pressionando suavemente a mama, em manobra circular, como se fosse uma massagem. Uma outra forma de palpação é com as pontas dos dedos, com se apertasse uma tecla de piano deslizando ao longo de toda área a ser examinada. Durante a palpação pode ser usado algum creme hidratante que facilitará a percepção tátil. Finalmente com os dedos polegar e indicador, deve ser realizada uma expressão suave nos complexos areolo papilares, observando se há eliminação de alguma secreção anormal (sanguínea, serosa, sero sanguinolenta ou tipo água).

A palpação no auto-exame também pode ser realizada durante o banho de chuveiro, com as mãos ensaboadas, se valendo das mesmas técnicas anteriormente descritas.

16. Quais os sinais clínicos de alerta que devem fazer a mulher procurar um especialista?
Qualquer alteração no contorno da mama (alteração do volume, assimetrias, vermelhidão localizada ou difusa, abaulamento, retração, desvio da papila)

Descamação, vermelhidão, eczema ou crostas em torno da papila ou da auréola.

Saída de secreção pela papila, provocada ou espontânea (tipo água, sanguínea, sero sanguinolenta ou serosa)

Qualquer nódulo na mama

Qualquer caroço na axila.

17. Um traumatismo mamário pode desenvolver um tumor ou um câncer?
Não existe qualquer relação entre traumatismo mamário e aparecimento de câncer. Quando uma mulher sofre um traumatismo mamário, é comum que ela se auto examine, ou procure um especialista, ou faça exames especializados, e nestas oportunidades pode-se identificar uma lesão que já existia benigna ou maligna.

18. A dor nas mamas tem alguma relação com o câncer de mama?
Não. Não há nenhuma relação com o câncer. Dos sintomas mamários, a mastalgia (dor nas mamas) é o mais freqüente. Acredita-se que toda a mulher em alguma fase da vida apresentou ou apresentará dor mamária. A dor mamária, quando sintoma de alguma alteração própria da mama, pode ser cíclica e acíclica. A mastalgia cíclica tem surgimento na fase pré- menstrual, e geralmente está associada a outras manifestações da síndrome de tensão pré- menstrual, enquanto a mastalgia acíclica pode ser contínua ou intermitente, mas nunca associada ao ciclo menstrual.

É importante mencionar a dor sentida na mama, mas que tem como causa algum problema extra mamário (musculatura torácica, nervos intercostais, cartilagens, gradil costal, etc).

Portanto em nenhuma situação a mastalgia está associada ao câncer de mama, salvo quando a mulher é portadora de um tumor muito grande (tumor avançado) que a dor é resultado da compressão do tumor.